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11 de Dezembro de 2018

Pesadelo em Paris.

Posso ficar com meu filho no Brasil?

DR. MAURÍCIO EJCHEL, Advogado
Publicado por DR. MAURÍCIO EJCHEL
há 7 meses

Meu nome é Dalva e sou a mãe do Lucca.

Seis anos atrás eu estava morando em Belfast, onde conheci a Danielle e vivemos um relacionamento conjugal.

No Natal de 2016, por conta dela ter a nacionalidade francesa decidimos nos mudar para Paris onde eu imaginava que tería uma vida feliz. Me enganei. Na realidade passei a viver um pesadelo.

Nosso relacionamento sempre foi muito intenso, até que em Maio do ano passado rompemos, mas continuamos vivendo na mesma casa.

Nesta época já tinhamos o Lucca, que nasceu em Belfast em Setembro de 2014.

Ele foi registrado lá por nós duas, porém eu sou a sua mãe biológica e ele tem somente o meu sobrenome.

Fiquei muito preocupada com a situação do meu filho.

Quando eu consultei uma advogada ela me disse que somente eu teria o poder pátrio. Porém eu não fiquei segura com esta orientação e decidi consultar um outro advogado, que me informou o contrário, que nós duas tinhamos o mesmo direito em relação ao Lucca.

Umas das razões pela qual decidimos mudar para Paris foi exatamente porque lá seria mais fácil para ela me ajudar a legalizar minha situação como estrangeira.

Por isto fizemos a União Estável e demos entrada na minha legalização.

Quando a conheci, seis anos atrás, ela bebia muito e misturava com antidepressivos, escondia bebidas em vários lugares da casa, bebia escondido junto com os medicamentos. Neste estado ela se transformava numa pessoa muito agressiva.

Ela me dizia que era apenas uma “fase difícil” e que ela iria parar com o álcool. E eu acreditava pois era muito apaixonada por ela.

Em 2014 ela tinha melhorado um pouco, bebia menos, mas continuava tomando os medicamentos.

Decidimos ter o Lucca nesse mesmo ano e em 2015 ele nasceu.

Depois que ele nasceu, todas as vezes que ela bebia a gente discutia e ela me torturava psicologicamente, me ameçando que iria procurar um advogado e que o Lucca ia ser somente dela, mesmo enquanto eu ainda estava de resguardo.

Estas ameças me deixavam em pânico, eu chorava muito e me sentia insegura em outro país. Vivia um pesadelo. Um terrivel pesadelo em Paris.

No outro dia quando ela melhorava da bebida me pedia desculpas, só que isto não me fazia sentir melhor, pois isso se repetia todas as vezes que ela bebia.

Teve uma situação do Lucca estar se recuperando de uma cirurgia no ouvido que acabou virando uma infecção, ele ficou com febre muito alta e ela caindo de bêbada.

Além de eu ter de cuidar do coitado do menino sozinha ainda tinha de ficar escutando chantagens dela, que ela iria se separar de mim e ficar com Lucca, que eu não teria direito de nada porque era uma mera estrangeira.

No outro dia ela voltava com as mesmas desculpas…

Isto levou ao fim do nosso relacionamento, pois eu não aguentava mais toda esta situação dela com o álcool.

Continuamos vivendo na mesma casa, com o plano de cada uma arrumar um lugar em Paris e que ela iria me ajudar alugando uma casa, poque tanto na Irlanda como na França era difícil alugar uma casa quando você é estrangeira com baixo salário.

Nesse prazo ela começou a se relacionar com outras pessoas por aplicativos de relacionamento.

Ela passou a conversar diariamente com uma outra mulher e com o tempo ela começou a mudar os planos que tínhamos feito para uma separação tranquila, que seria o melhor para o Lucca.

Começamos a brigar diariamente, até que numa noite estávamos discutindo e o telefone da casa tocou.

Eu atendi e era a mulher com quem ela conversava. A mulher me disse que já tinha ido na nossa casa quando eu não estava por lá, sendo que tínhamos combinado de nunca levar alguém estranho para nossa casa, pela segurança do Lucca.

Enquanto eu ainda estava falando ao telefone com essa mulher que me chamava de vagabunda, a Danielle chamou a polícia.

Quando a polícia chegou na nossa casa, eu estava furiosa e não me controlava.

Fui levada a delegacia e ela ficou com o Lucca, como se fosse a mais serena das criaturas.

Quando fui liberada ela logo me falou que estava indo de vez para casa de uma amiga.

E foi, nos deixando para trás com muitas dívidas.

Me ligava todos os dias falando pra eu me virar e que já tinha providenciado as coisas para ela e o Lucca viverem juntos. Falava tambem que iria ligar para a imigração para me extraditarem.

Ela parou de pagar a parte dela no aluguel da casa, fazendo com que a proprietária entrasse na justiça para me despejar. A energia ia ser cortada, a água, o telefone e a internet também.

Ela foi fechando todas as minhas possibilidades. Todos os dias eu mostrava o Lucca para ela através de chamada de vídeo para ver se conseguia que ela nos desse atenção, mas ela usava esses momentos para reclamar de como eu estava cuidado dele e dizia para ele que logo eles estariam vivendo juntos.

Chegou num ponto que eu no desespero voltei para o Brasil com o Lucca.

Agora estamos a quase duas semanas aqui e desde então ela está fazendo chantagem com todos da minha família que ela tinha contato. E parece que ela entrou com alguma coisa contra mim na França.

Gostaria de saber se posso ficar no Brasil com meu filho? O que é melhor eu fazer? Ela realmente tem algum direito sobre o Lucca? Teria como eu registrá-lo no Brasil?

Me ajude a sair deste pesadelo.

Dalva.

3 Comentários

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Relato angustiante, dr! Caso complicado hein, espero que consigam resolver tudo com serenidade. Abraços continuar lendo

O Dr. gostaria de uma opinião dos colegas? Não compreendi o intuito... :/ continuar lendo

Caro Rafael, fico satisfeito com sua indagação. O formato inusitado do artigo pretende justamente apresentar uma situação comum em nossa área, de modo a estimular outras pessoas em situações semelhantes a buscar auxílio. Mas se tiver interesse na área internacional, sua opinião sobre o caso será muito bem vinda. Abs
Maurício Ejchel continuar lendo